quarta-feira, 18 de novembro de 2015

INSTITUIÇÃO SE APERFEIÇOA AOS 178 ANOS

Batalhões em todo o Rio Grande do Sul usavam caminhonetes nos anos 1950 para patrulharem estradas e ruas. Na década seguinte, a instituição passou a usar viaturas menores no policiamento ostensivo
Batalhões em todo o Rio Grande do Sul usavam caminhonetes nos anos 1950 para patrulharem estradas e ruas. Na década seguinte, a instituição passou a usar viaturas menores no policiamento ostensivo

MAUREN XAVIER

A Brigada Militar nasceu com a missão de garantir a ordem pública no momento em que o Rio Grande do Sul enfrentava as turbulências da Guerra dos Farrapos. Após 178 anos, que serão celebrados no próximo dia 18, a corporação ainda enfrenta o mesmo desafio. Porém, o panorama e a complexidade são bem maiores. Com um número limitado de profissionais, cerca de 20 mil, e com uma defasagem estimada em quase 40%, a Brigada enfrenta uma onda de criminalidade em ascensão. Assim, busca na gestão um caminho para romper as dificuldades e conseguir atender ao volume variado de demandas, que muitas vezes nem são de responsabilidade da corporação. “Exercemos um papel essencial na sociedade. Ele é fundamental para garantir a ordem e, mais do que isso, a democracia”, afirma o comandante-geral da BM, coronel Alfeu Freitas. “Incorporamos muitas fun- ções ao longo do tempo”, afirma. Especificamente, o coronel fala de serviços como o policiamento em presídios. Atualmente, são deslocados 600 PMs para atuarem no Presídio Central e na Penitenciária do Jacuí. “Foi um trabalho temporário que se tornou permanente”, analisa. “Gostaríamos de deixar os presí- dios”, enfatiza. O desafio de gerenciar um grupo limitado diante de inúmeras demandas faz com que a gestão seja fundamental. “Buscamos estimular e aperfeiçoar boas práticas, como o monitoramento dos índices de criminalidade”, exemplifica. “Isto serve para nos mostrar onde podemos atuar mais fortemente”, afirma o oficial. Para Freitas, o presente de aniversário ideal seria a união de toda a população para reduzir a criminalidade. Criar condi- ções para evitar que crimes fossem cometidos. Que os criminosos detidos tivessem condições de ressocialização, evitando, por exemplo, o trabalho do “prende e solta”. A Brigada Militar registra por dia 4.800 ocorrências e prende 360 pessoas. “Somos os mais criticados”, comenta o comandante-geral. “Pois, estamos presentes em todos os locais”.
Pelotão, provavelmente no interior do Estado, perfilado para cerimônia
Pelotão, provavelmente no interior do Estado, perfilado para cerimônia
Uma vocação de pai para filho

A Brigada Militar também faz parte da família de muitos de seus integrantes. Não são raras as histórias de pessoas que ingressaram ainda jovens e, gradativamente, avançaram, chegando a ocupar cargos de destaque. A história de vida do coronel Alfeu Freitas, atual comandante-geral da BM, é um dos exemplos. Ele ingressou aos 17 anos, seguindo o exemplo de seu pai, que era brigadiano. Dentro da corporação, Freitas avançou até o cargo máximo. Outra história é a de José Dilamar Vieira da Luz. Ele também ingressou aos 17 anos e foi para a reserva após exercer o comando-geral da corporação, de 1996 a 1998. A sua trajetória totaliza 33 anos. “Desde pequeno quis ser militar e optei pela BM porque assim poderia ficar no Estado”, recorda Luz. A escolha, em parte, foi influenciada pelo primo, que pouco antes havia se formado aspirante. “Segui o caminho”, comenta. E a sua trajetória foi de ascensão, passando por diversos departamentos e cidades. “A BM faz parte da minha história”, resume. E, mesmo na reserva, a instituição ainda está presente em sua vida. O major Leandro, seu filho mais velho, é lotado no setor de Inteligência do Comando de Policiamento da Capital (CPC). O ex-comandante-geral recorda a mudança que promoveu na corporação na época que era o titular. A formação em Direito passou a ser obrigatória para o PM tornar-se oficial. Mas o maior desafio é combater a criminalidade sem as condições ideais. “Os crimes aumentam em uma velocidade maior do que a capacidade da Brigada Militar em dar uma resposta”, atesta o oficial da reserva.

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